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quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Não posso deixar de trair o meu sossego"

foto de de Juarez Fonseca, Nei Duclós na época da UFRGS
link:
Longa vida à UFRGS, por Nei Duclós
.
"(...)O primeiro poema que li, de Nei, assim começava: "Olhem o animal da palavra". Era eu. No tempo em que ele o publicou não pude agradecer-lhe.Pois foi quando se dera na Europa e nas Américas aquele histórico e súbito movimento de maturidade e independência dos jovens - os quais se apresentavam de longas barbas, não para imitarem seus venerandos avós, mas sim, creio eu, numa espécie de reencarnação do homem das cavernas -, visto que era preciso recomeçar tudo. Ora, como eu ia dizendo, não pude agradecer pessoalmente ao poeta, pois jamais conseguia diferençar um barbudinho de outro. Sei que agora ele está barbilampinho. Mas noutra cidade, onde diz coisas assim: "Não posso deixar de trair o meu sossego".(...)"
Texto de Mário Quintana no prefácio no segundo livro de Duclós "No Meio da Rua"

link: Prefácio na íntegra de Mário Quintana

poema de hoje:
Olhem o antípoda
olhem o animal da palavra
É um dinossauro na cidade de vidro
borboleta branca na floresta queimada
Respeitem seu andar
e desconfiem com temor
da sua conversa fiada

Ele é o flagelo do Senhor
e vocês não sabem
(Nei Duclós no livro OUTUBRO)

quinta-feira, 26 de março de 2009

OUTUBRO - 1975 (Livro de Estréia)

*No quintal da casa de Ipanema em Porto Alegre, na época do lançamento de Outubro. Foto de Eneida Serrano.

Uma citação antológica:
(...)
Ney Gastal - Três poetas da nova geração e do teu agrado?

Mario Quintana - Daqui dos pagos ? Ayala, Duclós, Nejar, Trevisan, em ordem alfabética.
(...)
links:
- Entrevista completa que Mário Quintana deu à Ney Gastal

- Post de Nei Duclós no Diário da Fonte sobre a citação

.
poema do dia:

OUTUBRO

Trago a nova: eu mudo
lento, e é tudo
Sinto ser assim
por estações: aos turnos

Posso voltar
ao ponto de partida
mas luto

Sei que vem outubro
Flores, fruto de seiva
romperão no mundo
(Trabalho duro:
sugar de pedras
rasgar os caules
colher ar puro)

Lento e bruto
eu mudo
Sei que vem
outubro

(Nei Duclós no livro "Outubro" 1975)