VIAGEM A SATURNO - Poesia de Nei Duclós - Música de Muts Weyrauch . Gravação: CD Mutuca Rock'n'Roll Band. (Voyage to Saturn the gun-play lost in childhood that stayed in the space)
poema de hoje:
VIAGEM À SATURNO Irei até os aneis de Saturno Para encontrar objetos perdidos Lá espera o meu revólver de mocinho
Espantarei as moscas do destino E viajarei como ave sem rumo Num belíssimo voo diurno Como um arco-íris meus pés flutuam Nei Duclós
poema de hoje: MINUANO O vento é uma pedra polar que põe o campo de cabelo branco e acende meu corpo tropical O pampa não sonha quando balança ao som do minuano no varal
mas meu coração se lança contra o tempo mau Armo as velas neste vendaval." (N. Duclós - Minuano - No meio da Rua)
video, realizado por Ferias Floripa: Poema " No Mar, Veremos", do livro do mesmo nome (Ed. Globo, 2001) de Nei Duclós, musicado e cantado por José Gomes, autor da melodia, dos arranjos e da execução dos instrumentos. . obs.: Eu colocaria modo "tela cheia" :) . "Lembro que fiquei anos escrevendo o poema. Inventei, na poesia, a lenda do barco que não se entregava, que não se dobrava diante das tormentas, pois sempre voltava e ficava firme na beira. Era uma história da infância transformada pela poesia. Em três ou quatro meses de 1986, quando trabalhava na Lapa de Baixo, em São Paulo, na revista Senhor, eu rescrevi o poema todos os dias. " Nei Duclós . poema de hoje: NO MAR, VEREMOS Nei Duclós
Pescador de rio pequeno coloca tudo nos eixos: seu aço guardado em sótão sua lança quebrada ao meio
Sabe o rumo da tormenta o passo da palometa o avesso de toda malha o limo sob o sereno
Pescador de rio moreno charrua de preta escama seu barco já está a prumo aguarda a voz do minuano
E se vier o mar com séquito de sereias a espuma em seu território a carne suja de areia?
E se vier o mar usando arpões de baleia sargaços ardendo em febre gáveas altas como estrelas?
Pescador tem a resposta dobrada em lenço vermelho que aviva os sonhos do sótão de aço posto nos eixos
Pois o mar é uma lenda cultivada pelo vento a porta de um outro mundo maré de água estrangeira
é uma espécie de terror com batalhão de tridentes generais do imperador roubo de comerciantes
O mar, para um pescador criado em água corrente nos arames dos arroios entre os moirões das fazendas
é uma dança pelo avesso a trilha do formigueiro metralha sob a vanguarda canhão contra baioneta
Pois se vier o mar, veremos o barco a remo do pampa puxando um cordão guerreiro
para atiçar a batalha para tingir os valentes para costurar a mortalha do sal que resseca a rede