domingo, 5 de abril de 2009

No mar, Veremos

video, realizado por Ferias Floripa: Poema " No Mar, Veremos", do livro do mesmo nome (Ed. Globo, 2001) de Nei Duclós, musicado e cantado por José Gomes, autor da melodia, dos arranjos e da execução dos instrumentos.
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obs.: Eu colocaria modo "tela cheia" :)
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"Lembro que fiquei anos escrevendo o poema. Inventei, na poesia, a lenda do barco que não se entregava, que não se dobrava diante das tormentas, pois sempre voltava e ficava firme na beira. Era uma história da infância transformada pela poesia. Em três ou quatro meses de 1986, quando trabalhava na Lapa de Baixo, em São Paulo, na revista Senhor, eu rescrevi o poema todos os dias. " Nei Duclós
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poema de hoje:
NO MAR, VEREMOS
Nei Duclós

Pescador de rio pequeno
coloca tudo nos eixos:
seu aço guardado em sótão
sua lança quebrada ao meio

Sabe o rumo da tormenta
o passo da palometa
o avesso de toda malha
o limo sob o sereno

Pescador de rio moreno
charrua de preta escama
seu barco já está a prumo
aguarda a voz do minuano

E se vier o mar
com séquito de sereias
a espuma em seu território
a carne suja de areia?

E se vier o mar
usando arpões de baleia
sargaços ardendo em febre
gáveas altas como estrelas?

Pescador tem a resposta
dobrada em lenço vermelho
que aviva os sonhos do sótão
de aço posto nos eixos

Pois o mar é uma lenda
cultivada pelo vento
a porta de um outro mundo
maré de água estrangeira

é uma espécie de terror
com batalhão de tridentes
generais do imperador
roubo de comerciantes

O mar, para um pescador
criado em água corrente
nos arames dos arroios
entre os moirões das fazendas

é uma dança pelo avesso
a trilha do formigueiro
metralha sob a vanguarda
canhão contra baioneta

Pois se vier o mar, veremos
o barco a remo do pampa
puxando um cordão guerreiro

para atiçar a batalha
para tingir os valentes
para costurar a mortalha
do sal que resseca a rede

que suga o sangue farrapo
com sua manha de peixe

Pescador vem do levante
e um milhão atrás dele

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Time de Futebol


foto: time vice-campeao da segunda série ginasial do colégio Sant'Ana de Uruguaiana. Nei Duclós é o goleirão (terceiro da fileira de baixo da esquerda para direita).
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Links: Conjunto de cronicas de esportes assinadas por Duclós, vai lá
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poema de hoje:

EU E O PASSAGEIRO
de tênis
com o andar dos anos cinquenta
que aprendemos nas matinês
Cruzando a praça com nossa roupa gasta
e navegando no fim de todas as tardes

Eu e o passageiro
nas esquinas do tempo
esperando acender as luzes da manhã
opostos e iguais como dois irmãos
ligados por uma ponte subterrânea
do tamanho da palavra Uruguaiana
(Nei Duclós, em No meio da Rua)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Uma Redação

Foto: equipe original do Jornal de Santa Catarina, lançado em 1971 em Blumenau, e hoje conhecido como Santa e de propriedade da RBS.

links:
- A FOTO E OS FATOS, por Nei Duclós
- CORAÇÃO DE VELUDO , por Nei Duclós
- Os Gaúchos do Santa, por César Valente
- A foto e o amigo, por Sérgio Rubim
- Blog do Mário Medaglia

Nei Duclós mais tarde se mudaria para São Paulo, passando pelas redacoes do jornal Folha de S. Paulo, revistas Brasil 21, Senhor, e IstoÉ. Publicou textos também em O Estado de S. Paulo, Veja e Jornal do Brasil. Atualmente mora em Florianópolis e publica cronicas na Imprensa, para acompanhar visite o DIARIO DA FONTE. Textos sobre a profissao de jornalista voce encontra em seu site.
poema de hoje:

SENHA
Somos nós, os pescadores
que fizemos do rio uma casa
e de todos os rios, uma pátria

Somos nós, os pescadores
que cruzamos cidades amargas
com os remos fora d’água
e o rosto lavado em sal

Somos nós, os pescadores
Que nos reunimos em silêncio
ao redor do amanhecer
com o sol preso na mão
e a rede tensa

Somos nós o horizonte
onde aportarão os exércitos
sem direção

Levantar um braço, então
será o bastante
(Nei Duclós, em No mar, Veremos)